Por Larissa Rosendo Rodrigues- psicóloga da Clínica Azzi
Trabalho científico que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados sucintos de uma pesquisa realizada de acordo com o método científico, cujo conhecimento produzido é aceito por uma comunidade de pesquisadores.
O tema proposto neste trabalho visa delinear as práticas dos psicólogos atuantes nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no contexto social brasileiro, com foco na compreensão do papel do psicólogo e sua atuação na saúde mental. Os CAPS, concebidos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), são resultado de um movimento histórico impulsionado pela Reforma Psiquiátrica e pela Luta Antimanicomial, que buscou romper com o modelo manicomial e enfrentar o estigma social associado à loucura em relação às doenças orgânicas. Esses centros emergem como dispositivos fundamentais na reconfiguração da atenção à saúde mental no Brasil.
Atualmente, a literatura científica aborda aspectos importantes da atuação dos psicólogos nos CAPS, incluindo suas práticas no cuidado multidisciplinar, a importância do vínculo terapêutico e os desafios impostos pela alta demanda e limitações estruturais. No entanto, há uma lacuna significativa quanto à análise sistemática do papel específico desses profissionais no enfrentamento dos desafios regionais e na adaptação às demandas sociais e culturais das populações atendidas.
Embora existam estudos que abordem a importância dos CAPS e o impacto da Reforma Psiquiátrica, observa-se uma necessidade de investigar de forma mais aprofundada como os psicólogos articulam suas práticas diante do fenômeno multifatorial da saúde mental. Há uma carência de informações que relacionem diretamente o trabalho desses profissionais com as dinâmicas regionais e as demandas populacionais diversificadas.
O objetivo deste trabalho é contribuir para preencher essa lacuna, analisando criticamente as práticas dos psicólogos nos CAPS, com ênfase na articulação do trabalho multidisciplinar, na compreensão das especificidades regionais e nos desafios enfrentados para garantir o acesso universal à saúde mental. Por meio de uma revisão sistemática das referências bibliográficas disponíveis em plataformas digitais, busca-se facilitar a compreensão das práticas atuais e identificar possíveis avanços que possam nortear futuras intervenções e estudos na área.
A presente pesquisa investiga a atuação dos psicólogos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Brasil, com ênfase em suas práticas, desafios e contribuição para a saúde mental no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). A seguir, são apresentados os principais aspectos teóricos e históricos que embasam o estudo, com base em uma revisão de literatura composta por artigos e capítulos de livros relevantes, sendo ao menos 30% publicados nos últimos cinco anos.
A inserção dos psicólogos nos serviços públicos de saúde remonta ao final da década de 1970, quando políticas públicas buscaram modelos alternativos aos hospitais psiquiátricos. Carvalho e Yamamoto (2002) destacam que a formação de equipes multiprofissionais foi fundamental para ampliar o acesso e a eficácia dos atendimentos em saúde mental.
A 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, consolidou o conceito de saúde como direito universal, resultando na criação do SUS (BRASIL, 1986). Esse marco histórico ampliou a responsabilidade do Estado em garantir o acesso igualitário à saúde, incluindo a saúde mental, como previsto na Constituição de 1988 (BRASIL, 1988).
A Reforma Psiquiátrica Brasileira, iniciada nos anos 1990, foi catalisada pela Luta Antimanicomial, que visava substituir o modelo asilar por uma abordagem comunitária e humanizada (Campos, 2019). A sanção da Lei 10.216/2001 reforçou o redirecionamento do modelo assistencial, promovendo a integração dos serviços de saúde mental à comunidade (BRASIL, 2001).
A Portaria SAS/MS nº 224/92 deu origem aos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS), predecessores dos CAPS. Esses serviços propunham cuidados intermediários entre o regime ambulatorial e a internação hospitalar, integrando equipes multiprofissionais (BRASIL, 1992).
A Portaria nº 336/2002 introduziu uma categorização dos CAPS em diferentes modalidades (CAPS I, II, III, CAPS AD, CAPS AD III), organizando os serviços para atender às necessidades regionais e específicas, como transtornos graves e uso de substâncias psicoativas (BRASIL, 2002). Silva (2010) destaca que a atuação territorial dos CAPS vai além da delimitação geográfica, integrando relações sociais e comunitárias para promover a inserção dos usuários.
Dimenstein (1998) identifica fatores como políticas públicas e o movimento de redefinição da psicologia na sociedade como determinantes para a inserção do psicólogo nos serviços públicos. Além disso, o trabalho multidisciplinar é enfatizado como essencial para lidar com os desafios multifatoriais da saúde mental. Cantele, Arpini e Roso (2012) argumentam que a escuta qualificada dos psicólogos é central para abordar a subjetividade e complexidade dos casos, rompendo com o estigma da loucura como doença exclusivamente orgânica.
Pesquisas recentes apontam desafios significativos enfrentados pelos psicólogos nos CAPS, como alta demanda, recursos limitados e dificuldades na articulação com a rede de atenção psicossocial (RAPS) (Cunha et al., 2021; Lima et al., 2020). Apesar disso, os psicólogos desempenham papel crucial na construção de Projetos Terapêuticos Singulares (PTS), conforme orientado pela Portaria nº 3.088/2011, que reforça a cogestão entre equipe, usuários e famílias (BRASIL, 2011).
Embora os CAPS sejam amplamente estudados como dispositivos estratégicos na RAPS, poucos estudos analisam sistematicamente as práticas dos psicólogos em diferentes contextos regionais e sua contribuição para a superação dos desafios enfrentados no cotidiano. A pesquisa proposta visa preencher essa lacuna, fornecendo subsídios teóricos e práticos para a melhoria contínua dos serviços.
Os resultados desta revisão bibliográfica elucidaram os principais desafios enfrentados pelos psicólogos na atuação nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), agrupados em duas categorias principais: dificuldade do trabalho devido à falta de recursos e dificuldades entre formação e atuação profissional.
A análise revelou que a insuficiência de recursos humanos, financeiros e estruturais é uma barreira significativa para a prática psicológica nos CAPS. Estudos como o de Godoi et al. (2020) e Bezerra et al. (2018) destacam a precariedade no acesso a materiais de trabalho, infraestrutura inadequada e escassez de profissionais, comprometendo o atendimento e a eficácia das práticas em saúde mental. Além disso, a falta de articulação entre diferentes níveis de atenção dificulta a continuidade do cuidado, evidenciando a necessidade de investimento em políticas públicas que priorizem a saúde mental.
Os achados também indicaram que a formação acadêmica dos psicólogos nem sempre está alinhada às demandas práticas do modelo psicossocial adotado nos CAPS. Pesquisas como as de Mota e Costa (2017) e Sales e Dimenstein (2009) sugerem que os cursos de graduação em Psicologia ainda priorizam abordagens clínicas tradicionais, o que gera lacunas no preparo dos profissionais para o trabalho em equipe interdisciplinar e para a abordagem territorial e comunitária exigida nos CAPS. Essa desconexão entre teoria e prática foi apontada como um fator que impacta diretamente a qualidade do atendimento.
Outro ponto central identificado foi a relevância do trabalho interdisciplinar e do apoio matricial como estratégias para superar desafios e promover práticas mais efetivas. Estudos como o de Oliveira e Ferrarini (2020) e Minozzo e Costa (2013) ressaltam que o envolvimento de equipes multiprofissionais permite uma abordagem integral do usuário, ampliando as possibilidades de cuidado. No entanto, os psicólogos frequentemente enfrentam dificuldades para se integrarem a essas dinâmicas, seja por falta de treinamento, seja por resistências institucionais.
Os resultados desta pesquisa corroboram a hipótese inicial de que os desafios enfrentados pelos psicólogos nos CAPS estão diretamente relacionados às desigualdades e limitações inerentes ao sistema público de saúde no Brasil. A falta de recursos e a desconexão entre formação acadêmica e prática profissional destacam-se como os principais entraves, exigindo maior atenção das políticas públicas e das instituições formadoras de psicólogos.
Por outro lado, as práticas interdisciplinares e o apoio matricial surgem como caminhos promissores para superar parte desses desafios. Investir na formação continuada dos profissionais e no fortalecimento da rede de atenção psicossocial é fundamental para garantir a efetividade do modelo psicossocial e para que os CAPS cumpram seu papel como serviços substitutivos ao modelo manicomial.
Portanto, esta pesquisa contribui para a área do conhecimento ao evidenciar as dificuldades vivenciadas pelos psicólogos nos CAPS e propor reflexões sobre a aplicabilidade de estratégias para otimizar sua atuação. Os achados podem subsidiar tanto a elaboração de políticas públicas quanto a revisão de currículos acadêmicos, promovendo a integração entre teoria, prática e as demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa proposta explora uma lacuna significativa no campo da saúde mental no Brasil, com foco na atuação dos psicólogos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Este estudo organiza-se em torno de três eixos principais: identificação da lacuna no conhecimento, relevância prática da investigação e estratégias para a disseminação dos resultados a diferentes públicos.
A literatura existente concentra-se predominantemente nos aspectos gerais do modelo psicossocial e na importância dos CAPS dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, há uma escassez de análises que detalhem como os psicólogos adaptam suas práticas às especificidades regionais e socioculturais das populações atendidas. Adicionalmente, observa-se um desalinhamento entre os conteúdos teóricos abordados na formação em Psicologia e as demandas práticas do modelo psicossocial, comprometendo a capacitação dos profissionais para atuar em contextos interdisciplinares e comunitários.
Além disso, os CAPS enfrentam desafios estruturais, como insuficiência de recursos materiais e humanos, bem como dificuldades na integração com outros níveis da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Esses desafios, embora pontualmente discutidos, carecem de uma abordagem sistemática na literatura atual, limitando a compreensão do papel específico dos psicólogos no enfrentamento dessas questões.
A pesquisa proposta busca abordar essas lacunas por meio de ações como:
- Análise dos desafios e práticas profissionais: Investigar como os psicólogos podem superar as dificuldades cotidianas, promovendo práticas mais eficazes e adaptadas ao cuidado em saúde mental.
- Contribuição para a formação e políticas públicas: Fornecer dados que embasem a revisão de currículos acadêmicos em Psicologia, aproximando a formação teórica das demandas práticas. Adicionalmente, os achados podem subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à capacitação contínua dos profissionais.
- Melhoria da articulação na rede de atenção: Identificar estratégias para fortalecer a integração entre diferentes níveis da RAPS, promovendo um cuidado integral e contínuo.
Para alcançar tanto públicos especializados quanto a sociedade em geral, os resultados da pesquisa podem ser disseminados de maneira estratégica, incluindo:
- Publicações acadêmicas: Apresentação dos achados em periódicos especializados e eventos acadêmicos, como congressos de Psicologia e Saúde Coletiva.
- Divulgação acessível: Tradução dos resultados em linguagem clara e visual, por meio de blogs, infográficos e redes sociais, com foco em exemplos práticos e histórias de impacto.
- Oficinas e seminários: Organização de eventos voltados para gestores, profissionais de saúde e usuários do SUS, promovendo a troca de conhecimentos e experiências.
Esse trabalho contribui não apenas para a compreensão teórica das práticas dos psicólogos nos CAPS, mas também para o aprimoramento dos serviços e a construção de políticas públicas mais alinhadas às demandas sociais. Sua divulgação em formatos variados visa ampliar o impacto e o alcance das descobertas, beneficiando o campo acadêmico e a sociedade como um todo.

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