Em São Bernardo, Hospital da Mulher consolida referência em neonatologia com alta de bebê nascida com 440 gramas

Fevereiro 11, 2026
Em São Bernardo, Hospital da Mulher consolida referência em neonatologia com alta de bebê nascida com 440 gramas

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Equipe multidisciplinar, método canguru e aleitamento materno foram decisivos para a recuperação de recém-nascida prematura extrema, reforçando a excelência do atendimento da rede municipal

O Hospital da Mulher de São Bernardo, equipamento que integra o complexo de saúde do município, registrou um marco em sua história com a alta hospitalar de Ísis Manuelly Ribeiro do Nascimento, recém-nascida prematura extrema que nasceu com apenas 440 gramas e 26 semanas e 1 dia de gestação. Foi o menor bebê que já nasceu na maternidade. Após 4 meses e 10 dias de internação, sendo 118 dias na UTI Neonatal e mais 14 dias no berçário, a bebê deixou a unidade em ar ambiente, alimentando-se por aleitamento materno, pesando 2.260 gramas.

Ísis é filha de Sarah Cesar Ribeiro, de 21 anos, e de Rogério Aparecido do Nascimento Júnior, 28 anos, trabalhador da indústria de papelão. A família, que mora no bairro Alvarenga, realizou todo o acompanhamento pré-natal pelo SUS (Sistema Único de Saúde), inicialmente na UBS Alvarenga e, posteriormente, no Hospital da Mulher, serviço de referência para gestação de alto risco.

Até então, o menor bebê a receber alta na instituição havia nascido com 515 gramas. Ísis tornou-se, portanto, a menor recém-nascida a sobreviver e deixar o hospital em boas condições clínicas, um fato inédito para a unidade em todo período de atendimento especializado.

O parto ocorreu por cesárea em razão de restrição de crescimento intrauterino e pré-eclâmpsia materna. Durante a internação, Ísis permaneceu 104 dias intubada em ventilação mecânica e totalizou 116 dias em oxigenoterapia. Enfrentou múltiplos desafios clínicos.

PREMATURO - A prematuridade é uma das principais causas de morbidade e mortalidade neonatal no mundo. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuramente a cada ano, representando aproximadamente 11% dos nascimentos globais. No Hospital da Mulher, a taxa de prematuridade acompanha a literatura científica, mantendo média de 10%.

De acordo com a OMS, é considerado prematuro todo bebê nascido antes de 37 semanas completas de gestação. Ísis enquadra-se na categoria de prematuro extremo, pois nasceu antes de 28 semanas, além de ser classificada como recém-nascida de extremo baixo peso, por ter nascido com menos de 1.000 gramas. No caso dela, 440 gramas.

HUMANIZAÇÃO - Apesar da gravidade inicial, a assistência multidisciplinar e humanizada foi decisiva para sua evolução. O Hospital da Mulher, credenciado como Hospital Amigo da Criança, priorizou o aleitamento materno desde o início, estimulando a ordenha e o uso do leite materno como base da nutrição. Paralelamente, foi iniciado precocemente o Método Canguru, permitindo o contato pele a pele entre mãe e bebê e fortalecendo o vínculo afetivo e o desenvolvimento clínico.

Para a mãe Sarah, o período de internação foi marcado por medo, fé e superação. Ela relembra que um dos momentos mais difíceis foi ouvir de uma médica que Ísis dificilmente deixaria o hospital sem oxigênio. No entanto, a bebê surpreendeu a equipe e recebeu alta respirando espontaneamente. Sarah destacou o apoio da equipe multiprofissional e afirmou que a experiência mudou sua vida. O pai Rogério frisou que a alta representou o dia mais feliz de sua vida, após meses de incertezas e dedicação diária ao acompanhamento da filha no hospital.

Confira no link uma entrevista com os pais da pequena Ísis e com profissionais do Hospital da Mulher: https://www.instagram.com/p/DUnhM3LkTul/

EVOLUÇÃO POSITIVA - Na primeira consulta pós-alta, realizada em 4 de fevereiro de 2026 no Ambulatório Canguru do Hospital da Mulher, Ísis apresentou evolução positiva. Ela saiu de alta com 2.260 gramas e já pesava 2.432 gramas na avaliação de retorno. Segundo a pediatra da equipe de Neonatologia do Hospital da Mulher Dra. Cynthia Fernandes, esse acompanhamento é essencial para consolidar o vínculo mãe-bebê e garantir ganho de peso adequado.

Para a diretora técnica do Hospital da Mulher, Dra. Adlin Veduato, o caso reforça a relevância do investimento público em UTI Neonatal de alta complexidade e no cuidado humanizado, além de evidenciar a força do trabalho integrado entre diferentes profissionais da saúde. “O desfecho da história da Ísis demonstra a importância de uma rede de atenção materno-infantil forte, integrada ao SUS e comprometida com a vida", destaca. 

ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO - Por ter sido prematura extrema e apresentado intercorrências graves, Ísis seguirá em acompanhamento ambulatorial especializado até os 7 anos de idade no próprio Hospital da Mulher, com equipe multidisciplinar. O prosseguimento permitirá monitorar desenvolvimento neuropsicomotor, visão, audição e crescimento.

O secretário de Saúde de São Bernardo, Dr. Jean Gorinchteyn, ressaltou que o caso da pequena Ísis consolida o papel do Hospital da Mulher e de toda a rede de pública de saúde municipal como um serviço de altíssima qualidade, com estrutura e equipes preparadas para casos de neonatologia de alta complexidade. “Mais do que um marco histórico, sua trajetória evidencia a capacidade do SUS em oferecer cuidado qualificado, acompanhamento contínuo e resultados concretos às famílias que enfrentam a prematuridade extrema”, pontuou.

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