Em ato pelo fim da violência contra as mulheres, São Bernardo mobiliza petição por mudança na legislação

Março 02, 2026
Em ato pelo fim da violência contra as mulheres, São Bernardo mobiliza petição por mudança na legislação

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Documento, que será encaminhado ao Congresso e ao MP, coleta assinaturas pela revogação da audiência de custódia e prisão imediata do agressor; gestão Marcelo Lima também enviará pacote de projetos para proteger a vítima e punir transgressores 

Durante ato pelo fim da violência contra mulheres na cidade, realizado neste sábado (28/2), a Prefeitura de São Bernardo iniciou mobilização prática com abertura de petição pública por mudanças na legislação relacionadas ao tema, entre elas a revogação da audiência de custódia e prisão imediata do agressor que descumprir medidas protetivas. O documento, que será encaminhado ao Congresso Nacional e ao Ministério Público, trata da coleta de assinaturas para viabilizar, de maneira formal, a discussão em outras instâncias. O evento reuniu cerca de 1.200 pessoas no estacionamento do Ginásio Poliesportivo da Avenida Kennedy, e foi cercado de emoção e de manifestações no sentido de fortalecer as ações de combate à desigualdade de gênero e ao feminicídio.

Além da petição, a gestão do prefeito Marcelo Lima prepara pacote de projetos para proteção da vítima e de punição a agressores contra mulheres, incluindo uma proposta de lei que prevê que o agressor, quando condenado por crime contra mulheres, com trânsito em julgado – decisão judicial definitiva da qual não cabe mais recurso -, seja barrado de prestar concurso público na cidade e impedido de ser contemplado em programas do município, como a Faculdade Municipal de São Bernardo. O conjunto de projetos deve ser enviado para votação na Câmara na próxima quarta-feira (4/3).

“Nenhum homem em São Bernardo que estiver ou que passou por condenação transitada em julgado por qualquer tipo de crime contra mulheres poderá disputar uma vaga em concurso público e não vai ter direito à Faculdade Municipal de São Bernardo ou outro programa social da cidade. É um recado para o Brasil de que o covarde não tem vez em São Bernardo. Paralelamente ao pacote de projetos que encaminharemos ao Legislativo, estamos encampando essa petição pública, indicando alterações na legislação, para aperfeiçoarmos e endurecermos as leis brasileiras, dentro daquilo que a sociedade tanto espera”, destacou o prefeito Marcelo Lima.

Com pessoas vestidas de preto, o ato registrou série de faixas e cartazes com frases de apelo pelo fim deste crime contra mulheres. “Chega de matar mulheres”, dizia um dos materiais. “Feminicídio zero” e “Nenhuma mulher a menos” clamavam outros. Teve, ainda, um minuto de silêncio e oração pelas vítimas de violência. Na última quarta-feira, a jovem Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi vítima de feminicídio dentro de um shopping, enquanto trabalhava. A iniciativa deste sábado concentrou diversas autoridades públicas no local, reunindo, além do prefeito, a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade do município, Zana Lima, a vice Jessica Cormick, secretários municipais e vereadores.

A primeira-dama Zana Lima destacou a necessidade de conscientização e união para impedir a violência contra as mulheres. “Precisamos nos dar as mãos, nos unir pelo fim do feminicídio. Não cabe mais na sociedade dizer que: ‘Em briga de marido e mulher, não mete a colher’. Mete a colher sim. Temos que denunciar, nos apoiar”, frisou. Jessica Cormick pontuou também que o ato era para sensibilizar sobre a importância de modificações na legislação. “Não podemos nos calar diante desta situação. Estamos ‘gritando’ para ver se chega em Brasília. É pelo direito de viver.”

Em 2025, foi criada a Secretaria da Mulher em São Bernardo, inédita na cidade. A titular da pasta, Sandra do Leite, frisou que a Prefeitura registra uma ampla rede de proteção, destacando a necessidade de mobilizar a população para mudar esse cenário de violência. “Temos políticas públicas para proteção das mulheres, estamos preparados para esse atendimento, com uma rede importante de acolhimento. A Guardiã Maria da Penha faz visitas periódicas às mulheres, existe o CRAM, que acompanha com tratamento psicológico. Mas as mulheres têm que chegar até nós. Estamos trabalhando para criar um protocolo com a proposta de sermos informados quando essa mulher aciona a delegacia e, assim, auxiliar para evitar esse tipo de atividade violenta na nossa cidade. Não vamos abaixar a cabeça.”

REDE DE PROTEÇÃO – São Bernardo conta com rede integrada para atendimentos de urgência, acolhimento e apoio em casos de violência e outros tipos de violação de direitos. Os canais de entrada para os serviços de proteção geralmente são os de urgência, pelo chamado a agentes de segurança (telefones 153 – GCM ou 190 – Polícia Militar) ou pela busca de atendimento médico em unidades de saúde – para casos de violência sexual, por exemplo, a referência da cidade é o Hospital da Mulher. 

O município dispõe, ainda, de espaços de acolhimento. A Casa de Passagem, inaugurada em março de 2025, primeiro ano da gestão do prefeito Marcelo Lima, é alternativa para a saída segura de mulheres de suas casas, quando há violência doméstica. O CRAM – Centro de Referência e Atendimento à Mulher – é uma das unidades em assistência social que disponibiliza apoio psicossocial, atividades de empoderamento, orientações sobre direito e acompanhamento especializado. 

A cidade mantém casas abrigo sigilosas dedicadas ao acolhimento de mulheres vítimas de violência e seus filhos. Na segurança, a GCM (Guarda Civil Municipal) possui grupo especializado de atendimento às mulheres, a Patrulha Maria da Penha, que também fortaleceu sua atuação a partir do último ano. 

Cartilha denominada ‘São Bernardo por Elas’ foi lançada, em 2025, para disseminar informações sobre serviços, canais de emergência e orientações a mulheres em situação de violência. O material está disponível para acesso na página da Secretaria da Mulher – www.saobernardo.sp.gov.br/web/secretaria-da-mulher/inicio. 

A Prefeitura cedeu, recentemente, ao Governo do Estado, espaço no bairro Planalto onde será implantada a “Cidade da Segurança”, visando receber, no mesmo local, departamentos da Polícia Civil, principalmente uma DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) 24 horas. O prédio já está em adequação para abrigar o novo equipamento.

PETIÇÃO – A petição pública coordenada por São Bernardo, com indicações de modificações na legislação, já está disponível no site da Prefeitura, criando uma Frente de Enfrentamento à Violência contra Mulher de São Bernardo. Para mais informações para adesão ao documento, acesse o link: https://www.saobernardo.sp.gov.br/web/secretaria-da-mulher/formulario?p_p_id=56_INSTANCE_tIASuioskCZU&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2

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